Lembram-se de algum dia terem visto em alguma aula de história alguma coisa sobre Inquisição? Mulheres sendo queimadas a rodo sob acusações de bruxaria por toda a Europa. Faz um tempão.
Bruxaria, vamos combinar, é uma acusação um tanto vaga. Como é que se prova que alguém é bruxa? Daí desdobrou-se que toda e qualquer mulher com qualquer atitude que fosse contra o que é esperado para uma mulher - pimba! - era bruxa. Sedutora = Bruxa. Feia = Bruxa. Inteligente = Bruxa. Independente = Bruxa. E por aí vai.
É muito comum acharmos que este tipo de mentalidade acabou há muito tempo - afinal, faz uma tempasso que a Inquisição oficialmente não existe. Mas quem acompanhou a história da estudante da Uniban que foi ameaçada de estupro em São Paulo, pode facilmente perceber que infelizmente esta mentalidade persiste.
Os desdobramentos do caso foram ainda mais chocantes. Com toda a mídia pela primeira vez na história adotando um ponto de vista sensato, de que os culpados da história eram 1) os estudantes que ameaçaram estuprá-la (ou alguém esqueceu que estupro é crime, punível com severidade no Brasil?) e 2) os outros estudantes que fizeram aquele fuzuê selvagem no melhor estilo Talibã. Mesmo assim, qual foi a atitude da Universidade Bandeirantes? PUNIR A GAROTA!
Alguém me explica: isso faz algum sentido? Em que sociedade isto faz algum sentido? Na que eu habito é que não é - prova disto é a mídia novamente descendo o pau na Uniban. E estão certíssimos. Que a Uniban sempre foi uma universidade incompetente e fábrica de diplomas, todos sabemos. Mas chegar a este ponto? Literalmente, a gota d'água.
Com muita razão Sônia, da SOF (Sempreviva Organização Feminista) que é uma organização hipercompetente e ativa no movimento de mulheres no Brasil, disse: "É preciso trabalhar prevenindo a violência. O contrário do que a universidade está fazendo. A aluna deveria ser acolhida, e os alunos, educados." [clique aqui para ler a reportagem completa]
Se vocês já assistiram Persépolis, sobre as mudanças na sociedade iraniana, contadas pela Marjane Satrapi, uma mulher fantástica e quadrinista, podem entender a que ponto atitudes como esta podem levar. A estudante da Uniban foi, literalmente, queimada. Numa fogueira ao estilo Inquisição.
Em que século queremos viver?
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